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09 dezembro 2011

Raça Não Evita Abandono



Pertencer a uma determinada raça - e até possuir pedigree - não tem livrado animais dos maus-tratos, muito sofrimento e abandono na Cidade de São Paulo. Mais comumente nos últimos três anos, cães com raça definida (e muitos com pedigree) são abandonados em ruas e praças ou mesmo entregues ao CCZ, por proprietários que protagonizaram compras por impulso, sem pensar em todos os cuidados que um animal exige; sem pensar que esta vida brinca, muitas vezes destrói moveis e sapatos; tem necessidades fisiológicas; precisa de alimentos corretos, precisam passear e se exercitar; exige vacinação e desvermifugação e, quando adoece, precisa de cuidados de um médico veterinário. Tudo isso significa: atenção, cuidados, carinho, amor e gastos financeiros. 
Animais com raça definida têm mais chances de conseguir um novo dono, mas muitos acabam mortos no CCZ, por chegarem em péssimas condições de saúde ou até por pertencerem a raças que, usualmente, o CCZ não repassa para famílias, como os cães da raça pit bull. 
As ONGs e protetores independentes têm visto seus parcos recursos mais comprometidos ainda, quando tentam livrar das ruas e conseguir donos para essa leva cada vez maior de cães e gatos de raça, que acabam exigindo cuidados mais específicos, prolongando o período de recuperação e intensificando os gastos.
Muitos “modismos” passam e o abandono fica: poodles, que foram moda anos atrás, hoje são ofertados ou vendidos a preços reduzidos; e é muito comum encontrar animais dessa raça abandonados nas ruas ou no CCZ.
Mas raças vendidas por altos valores acabam abandonadas principalmente quando a pessoa se depara com um cachorro muito grande ou com hábitos que não combinam com a vida dos humanos da família – o labrador, por exemplo, virou moda nos últimos dois anos, mas muitos criadores não contam para o comprador que os cães desta raça precisam de muita atividade, brincam demais e fazem “arte” feito bebês grandes, de 40, 50 quilos. Precisam correr e brincar, até para não terem problemas de obesidade. Hoje é comum encontrar pessoas querendo doar ou se desfazer de algum modo de seus labradores. E assim com muitos outros cães das mais variadas raças.
Vale pensar sobre este texto. Aqui em nossa cidade muitos animais de raça também são abandonados!

Portanto, neste Natal, analise antes de presentear com um animal de estimação.

Cuidado BICHO NÃO É BRINQUEDO!

Associação Protetora BICHO VADIO

23 novembro 2011

A Ilusão do Abrigo! O porquê da Associação Bicho Vadio não possuir e não compartilhar a idéia de um Canil para o abrigar animais abandonados

Depois de inúmeras solicitações do porquê a Associação Bicho Vadio não possui e não compartilha a idéia do Canil para abrigo de animais abandonados, decidimos postar um esclarecimento á respeito deste assunto.

A ILUSÃO DO ABRIGO!

Inúmeras vezes temos ouvido de pessoas que acabaram de recolher um animal de rua dizer:"Ah, se eu tivesse dinheiro para montar um abrigo"! Fica bem claro, com este sonho que elas nunca visitaram um, para saber a realidade.

Um abrigo começa sempre com as melhores intenções. Se quem o abre tem uma certa dose de "pé no chão" imagina um número-limite de animais a serem abrigados. Mas o objetivo nunca é atingido. em pouco tempo o limite anteriormente fixado é expandido. E, quem pensava ter 50 animais se vê com 100,200 para alimentar, vacinar, manter limpos, higienizar as instalações, etc. já ouvi história de fortunas perdidas em sonhos de abrigo. Recentemente a de uma senhora  que estava sendo obrigada a sacrificar os animais mais idosos e doentes por não poder mantê-los, mesmo em precaríssimas condições. Depois do seu patrimônio ter se acabado, passado pela fase de pedir ajuda aos amigos, depois parentes, depois aos desconhecidos por fim aos veterinários e á Proteção Animal para sacrificar os animais para quem ela sonhou dar uma vida melhor ou salvar da morte nas ruas.

Abrigo não é solução, é problema gerado pelo descaso social.
Do lado oposto de quem sonha montar um, existe a crença das pessoas em geral de que basta pegar um animal de rua e metê-lo num abrigo para resolver o problema. Se visitassem um abrigo veriam a triste realidade: centenas de cachorros se degladiando por comida, muitos doentes, e até casos de canibalismo gerados pela fome!

O que a sociedade não vê está muito claro para nós que lidamos com o problema 24 horas por dia: em vez de abrigo, dar LAR TRANSITÓRIO. O animal é tratado, vacinado, esterilizado e doado. E isso pode demorar meses. Como doar tantos animais e os resultantes dos naturais cruzamentos, que nascem aos montes todos os dias? Como achar donos suficientes (e responsáveis) que os adotem?
Informando e educando as pessoas sobre POSSE RESPONSÁVEL e fazê-las compreender que esterilizar cães e gatos (fêmeas e machos) é a única solução possível para o abandono de massa com que convivemos.

Mas o que é deseperador é ver ainda veterinários aconselharem donos a deixar seus animais ter a primeira cria para só depois esterilizá-los; donos darem a desculpa de que "esterilizar faz o animal engordar"; ou a desculpa de "falta de dinheiro" ou a desculpa de que "tenho pena".
E estas mesmas pessoas ainda dizem que gostam de animais...
Deixando nascer aqueles que serão doados para qualquer um. Ou se alimentar de lixo. Ou morrer atropelados. Talvez sarnentos, famintos, num abrigo irremediavelmente sem recursos, sem o carinho de um dono.

(Texto de Ana Lucia Leão - jornalista, membro do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal e da Cia. do Bicho)